quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Campeão Continental

No começo ninguém entendia muito bem o que era esse esporte chamado boxe. De repente, os mais velhos começaram a falar o tempo inteiro na porta dos botecos sobre o Marrom e que ele provavelmente chegaria a ser como o Eder Jofre, o grande campeão de boxe, e daria o maior orgulho para a comunidade do Rosa.
Alguns o chamavam de Clarão, outros Marrom, como dá pra perceber o cara era um negão de mais ou menos um metro e oitenta, um garotão que começou a treinar na academia que ficava em cima do açougue no alto do Jardim das Rosas. Todos conheciam o Marrom, pelo menos de ouvir falar, ele também freqüentava os Bambas, e trocava idéia com todo mundo de boa. O cara era humilde pra caramba. Por ainda ser muito pivete, eu não tenho muitas lembranças dele como pessoa, mas não podia deixar de falar sobre ele.
O ano do título foi, se não me engano, 89 ou 90, ganhou o cinturão de Campeão Continental, e todos começaram a espalhar a notícia.
- O Marrom é campeão, galera!
A molecada como sempre só ganhou mais um ídolo, o negócio era lutar, e ganhar dinheiro para ficar rico igual a Marrom.
Depois do título vieram as reportagens na tevê, em diversos programas e jornais, fotos nos jornais, era a hora do sucesso. O negão ganhou a fama e se tornou mais conhecido do que nunca, o cara acabou largando a mulher e os filhos. Aí, a ficha dele ficou um pouco queimada, afinal, ninguém achava justo tal coisa, mas como sempre, cada um sabe o que faz!
Como toda subida, sempre surge a hora da descida, mas o B.O., é que no boxe a descida tem queda brusca, sem tempo de raciocínio. De repente o grande Marrom foi à lona, era a disputa de mais um título, e o cara que o derrubou ainda hoje é famoso, o tal Ezequiel Paixão apagou o Clarão em todos os sentidos.
Aquele dia foi muito triste, todos comentaram, os jornais noticiaram, e a família entrou em desespero. Clarão foi parar na UTI, estava em coma, e o negócio foi bravo, no auge da carreira uma porrada na cabeça quase matou o Clarão.
Mesmo depois de longo tempo, tratamentos e reabilitação, o Marrom nunca mais foi o mesmo, acho que ele ficou com seqüelas e parou de treinar. Não sei o que é dele hoje, mas ninguém nunca mais ouviu sobre ele. A galera mais jovem nem sabe que no Jardim das Rosas também nasceu um campeão.
Essa é a parte chata, leitor, muitas vezes as nossas glórias não são eternas, talvez porque não tenham sido tão importantes. São milhares de estrelas que se acendem e se apagam, e depois somos obrigados a conviver com a escuridão, e olhar fotos velhas recordando bons momentos vividos e conviver com o fantasma do esquecimento, pensar que jamais poderão continuar do ponto parado. A história do Marrom foi assim, qualquer hora vou procurar saber o que o campeão de 89 faz da vida.
O clarão nunca mais acendeu.

2 comentários:

Anônimo disse...

O Clarão é um grande cara! Ele dá aulas de boxe em Osasco. Uma pessoa excepcional, humilde e gente boa, conversa com todo mundo! Um cara que todo mundo gosta e admira por sua simplicidade e seu carisma! Espero que possa o encontrar um dia, pois é uma grande pessoa, um exemplo de vida.

Abraço!

Henrique disse...

O Clarão continua a dar aulas sou um dos alunos dele... o cara é gente boa... nos ajuda, nos da incentivo, e ta sempre de olho para corrigir algum movimento que fazemos errado... super atencioso... o cara é humilde até hoje... se quiserem encontra-lo entrem em contato no meu e-mail que estarei passando o assunto pra ele...

Abraço..

riick.clemens@hotmail.com